feliz 2013, ano novo ou não :)

– Podemos sair rapidinho?
– Mas não vamos dar tchau? É o casamento dela!
– Ah, ela está ocupada… – e se formos lá ela vai pedir pra ficarmos mais um pouquinho, e nós queremos ir né? Vamos por aquele canto!
(trecho de um diálogo sussurado em meados de outubro)

Feliz ano novo, Era1x

Uma coisa que eu realmente sei fazer é sair à francesa; desaparecer discretamente, como fumaça, do meio do fervo. Há quem diga que não é educado (apesar de franceses serem educados), mas não posso fazer nada – sempre tive pavor da convenção social “despedida”.  Chamo isso de síndrome do Rei Leão: “ciclo sem fim”, trata-se de uma espécie de mania de deixar tudo em aberto.

Esse tipo de transtorno manifestou-se em diversos estágios da minha vida. Quando eu era mais nova, acontecia com frequência na aula de português: “por que tanta vírgula? Aqui poderia ir um ponto final, e aqui, aqui, aqui e aqui… – Andressa, reescreve isso!” foi daí que eu comecei a entender (e utilizar impropriamente) a tal da licença poética. Neste ano eu mudei de cidade algumas vezes, saí igualmente à francesa. Não entendo o por que de “botas fora e despedidas” se eu pretendo voltar e visitar os meus amigos assim que possível. Se não fez sentido para vocês, é mais ou menos que: eu não preciso marcar o “fim” de um rito, assim, marcado – eu deixo ele terminar sozinho, ou não. Quando minha faculdade acabou fiquei devendo um texto de despedida para os colegas, faz mais de um ano e eu ainda não escrevi o bendito. Os meus finais de namoro também foram assim, na calmaria, sem nem parecer que alguma coisa tinha encerrado,  (éca de palavra, notaram que ela já termina dando erro?) não que eu ache que seja psicologicamente preparada (sou) para não sofrer por amor, talvez só não tenha chegado o amor certo pra sofrer ainda.

Tendo essa justificativa homérica, vocês irão entender a minha dificuldade de escrever um desses “últimos posts do ano” almejando e celebrando o encerramento de um ciclo, era, estágio ou sei lá o que. Anos novos são legais porque a agenda nova tem cheiro bom, porque tem carnaval de novo, porque eu vou rever quem eu gosto, vou estar de novo com quem eu quero, vou poder fazer mais do que me deixa feliz. O ano novo só é tão bom por tudo o que eu já vivi até aqui.

Eu tenho uma tatuagem com “era uma vez” e não com  “felizes para sempre” por um motivo bem simples, não importa se viveram felizes para sempre – importa é se viveram.

Feliz ano, novo ou não ;)

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