Escravas da carne.

Eu tenho uma amiga escrava da carne. Exatamente! Nem é uma reles amiga, é do tipo melhor amiga. Sabe essas que suspiram no meio da rua olhando um rabanete cair, e tu sabe exatamente o que ela pensou? Essa!

Meu conhecimento profundo dos suspiros da L (pseudo pedaço de nome que pode ou não ser fictício) vem de uma convivência de anos, não se conhece só o suspiro, mas o dedo preferido para roer a unha, o jeito de debochar da menina ao lado sem mudar a expressão facial, e a roupa que ela pensa em colocar para um determinado evento na próxima semana. Quase uma relação de namorados, mas sem brigas, e definitivamente com muito mais segredos compartilhados. Tudo bem ó beata apaixonada, que você conta “tudo para o seu amor”, mas convenhamos, nenhum amor jamais será o túmulo de segredos que uma melhor amiga é.

Bem voltando a L, como eu dizia, L  é uma escrava da carne.

Loira, magra e bonita. Sempre namorou sério, manteve-se em relacionamentos duradouros, desde os seus 13 ou14 anos. Mas, sabe o famoso indulto a recaída? A escorregada no tomate? O “ai meu deus o que eu faço”, na terça-feira as 00:49? Pois então, eis a dona L.

E não foram maus relacionamentos não, L sempre foi apaixonada pelos namorados, e ao meu ver, muito bem correspondida e obrigada. É a questão da carne mesmo.

Não sei quem foi a traída ou traidor que inventou que “sempre há um motivo por trás da traição”, oras tenha dó!

L e o namorado não estavam brigados, nem em crise, nem com nenhuma desconfiança um do outro, e o sexo ia muito bem. Mas fazer o que?

Estava ela lá de bobeira, aparece um abdômen perfeito, com um sorriso cafajeste que já vinha tentando uma chance a tempos, o que uma adolescente faria?

Seria fiel por princípios? Mas bem, ela ainda tem a vida inteira, seria muito difícil permanecer com o mesmo namorado não é? E se arrepender depois é pior. – Melhor me arrepender do que eu fiz ou do que eu não fiz? – tenho certeza que ela iria pensar nisso.

Além do mais, se eu der uma puladinha de cerca, ou letra a) eu não gosto tanto assim do meu namorado, e vai ser bom e revelador pra mim, ou letra b) eu amo meu namorado e isso não vai significar nada. – continuaria a L devaneando.

Acontece que o moço do sorriso cafajeste tinha uma puxada de cabelo daquelas que pegam pela nuca e por baixo sabe? Além de não ter o mínimo pudor pra falar de sexo. E ela adora sexo.

O porém dois, é que a L têm certeza que a resposta dela é a b), ela ama o namorado, só não tem tanta certeza quanto ao “não vai significar nada para mim”.

Olhando de fora, parece uma coisa absurda. “Pobre do menino, apaixonado e essa inconseqüente pensando em transar com outro, só por saciar seu desejo”.

Agora, repita a mesma frase, com o cheiro a pele a epiderme e suor de um sorriso cafajeste e um abdômen perfeito parados na sua frente.

É amiga, escravas da carne…

Tá, ok. Não vamos pensar que eu sou uma herege emocional que defende a criação de cornos por ai. Só defendo uma amiga, porque como eu falei no início, eu realmente entendo ela. A L é uma escrava do tipo “carne fraca”, uma versão feminina do “não posso ver um rabo de saia”. Tem gente que é escrava da carne em momentos de raiva, do tipo “discuti com ele vou me embugar de chocolate”. Tem escrava da vitrine, escrava da protelação (do tipo sei que é urgente, mas vou dar uma olhadinha no meu orkut antes), enfim, não justifica, mas é plausível né?!

Anúncios

Um pensamento sobre “Escravas da carne.

  1. Pingback: O cão, a raposa e a pata «

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s